Polarização na arena política e a disseminação de discursos de ódio

Pré-candidato republicano Donald Trump
Pré-candidato republicano Donald Trump

Duas figuras que se assemelham no cenário político internacional são o pré-candidato republicano Donald Trump e o deputado federal brasileiro Jair Messias Boslonaro (PP/RJ). Ambos semeiam ódio às minorias políticas em seus países. Se por um lado, nos Estados Unidos, um dos alvos de Trump é a comunidade latina, por outro, no Brasil, Bolsonaro alveja a comunidade LGBT.

Trump e Bolsonaro fazem parte de classes privilegiadas, cada um de sua forma e conforme a realidade de cada país. Donald Trump é empresário e apresentador de TV e Bolsonaro é militar de reserva. Acionista de 500 empresas, a fortuna de Trump é avaliada em cerca de US$ 4 bilhões, segundo a revista Forbes. Já os bens do deputado Bolsonaro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, somam cerca de R$ 2 milhões. Além disso, eles são homens brancos, cisgêneros e heterossexuais.
Devido ao histórico de discriminação racial, perseguição à comunidade LGBT e hierarquização da sociedade no Brasil e nos Estados Unidos, eles possuem regalias tanto para adentrar na atividade política quanto para adentrar em outras atividades.

Contraditoriamente, boa parte da audiência da emissora NBC, a TV que exibe o programa de Trump — “The Apprentice”, é composta por latinos e é transmitida na América do Sul e no Caribe. Mesmo com o rompimento do contrato com Trump em junho, o empresário foi convidado para participar do programa “Saturday Night Live”, da NBC, no dia 7 de novembro.

 

Deputado federal Jair Messias Bolsonaro (PP/RJ)
Deputado federal Jair Messias Bolsonaro (PP/RJ)

Em uma de suas falas xenofóbicas, Donald Trump disse em seu Twitter que os mexicanos “levam drogas e morte diretamente aos Estados Unidos”, após a fuga do narcotraficante Joaquín “El Chapo” Gúzman em julho. Em 2000, Bolsonaro disse à Revista Época que defendia a tortura: “Um traficante que age nas ruas contra nossos filhos tem que ser colocado no pau-de-arara imediatamente”.

Por causa da proliferação instantânea de informações e da polarização causada pelas redes sociais, personagens como Jair Bolsonaro e Donald Trump ascendem na mídia. Em julho, Donald Trump liderava a lista dos 15 pré-candidatos republicanos, com 17% de preferências no partido, segundo o jornal USA Today.

No Facebook e no Twitter, usuários compartilham mensagens em apoio à candidatura de Jair Bolsonaro para presidente em 2018. Segundo pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) e do instituto MDA, as intenções de voto para Bolsonaro variam entre 4,6% e 5,5%, a depender do cenário das eleições.

Diante de dois personagens problemáticos, a Imprensa, enquanto instituição que almeja compreender e interpretar o mundo, deve problematizar a atuação e discursos desses personagens. Se considerarmos que alguns leitores não possuem visão crítica ideal para perceber o perigo que Trump e Bolsonaro representam para a democracia, a Imprensa deve cumprir também com seu papel pedagógico e mostrar como suas falas se aproximam e rompem com o coro democrático.

Artigo selecionado para concorrer ao projeto Foca na Imprensa, do Portal Imprensa, no mês de novembro de 2015 — Três mil caracteres.

Tema: “A relevância da cobertura da corrida eleitoral nos EUA para o Brasil”.

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